Afluente e Efluente no saneamento

Quando o assunto é saneamento e tratamento da água, é muito comum ouvir e lidar com os termos afluente e efluente. Entretanto, é preciso cuidado, apesar de soar parecidos, os conceitos são bem diferentes


Afluente e Efluente no saneamento

Quando o assunto é saneamento e tratamento da água, é muito comum ouvir e lidar com os termos afluente e efluente. Entretanto, é preciso cuidado, apesar de soar parecidos, os conceitos são bem diferentes. De forma resumida, afluente é um curso natural de água e efluente é um dejeto derivado da ação humana. 
O afluente pode ser entendido ainda como pequenos caminhos de água formados até chegar ao rio principal, sem que o líquido chegue diretamente ao mar, lago ou oceano. Para receberem essa denominação, devem estar ligados a um rio principal de forma obrigatória, mesmo que esse deságue em mares ou oceanos. A ligação do afluente com o rio, por sua vez, chama-se confluência.
As composições e características se darão de acordo com a sua bacia hidrográfica e localidade. As propriedades do Rio Tietê na região metropolitana de SP, por exemplo, são totalmente diferentes das características do Rio Amazonas. Isso devido ao alto índice de poluição enviada ao rio. 
“Afluente são os rios e cursos de água menores que desaguam em rios principais e servem para drenar uma determinada bacia hidrográfica. A partir da captação do afluente em determinada indústria ou outro que se forma o efluente” – detalha David Faria, representante da Gmar Ambiental.
Nesse sentido, o efluente, é o resíduo proveniente das atividades humanas ou industriais, que são lançados no meio ambiente, na forma de líquidos ou de gases. Os efluentes ao serem despejados causam a alteração de qualidade nos corpos receptores e consequentemente a sua poluição.
Segundo Emilio Bellini Neto, diretor da Alphenz, um efluente pode conter diversos contaminantes, que vão desde parâmetros físico-químicos como metais pesados, sólidos em suspensão e turbidez, ou parâmetros orgânicos como óleos e graxas, DBO, ou ainda microbiológicos como patogênicos a exemplo os coliformes fecais. 
Existem os domésticos (vasos sanitários, mictórios, pia de cozinhas, água de chuveiros) e os industriais (frigorifico, indústria química, galvanoplastia). Sua composição se dará de acordo com a atividade exercida onde o efluente é gerado. Um exemplo é o caso da Galvanoplastia, onde o efluente possui características específicas compostas por metais pesados (Cromo, Níquel), Cianeto, entre outros.

Afluente e Efluente no saneamento

Afluente e Efluente no saneamento

Quando os efluentes, de qualquer fonte poluidora são despejados sem tratamento nos corpos d’água, podem causar sérios danos ao meio ambiente e também à saúde humana, já que são causadores de doenças como cólera e hepatites A e B. 
No Brasil, para evitar esses problemas, os efluentes só podem ser lançados nos corpos receptores após receberem tratamento adequado, segundo padrões e exigências estipulados pela Resolução 430 do CONAMA. 
No estado de São Paulo, há também o Decreto Nº 8.468 que dispõe sobre a prevenção e o controle da poluição do meio ambiente.
É importante ressaltar que ambos precisam receber tratamentos adequados. Um efluente descartado na natureza de maneira inadequada pode contaminar afluentes e exigir esforços consideravelmente maiores nos seus tratamentos, implicando em perdas ambientais, sanitárias e econômicas. 
Diante desse cenário, considera-se o tratamento do efluente como um fator-chave para o desenvolvimento de uma sociedade mais sustentável. Contudo, é necessário entender quais as destinações corretas de cada tipo.

Tratamento 
Faria explica que mesmo considerado como recurso natural, é necessário tratamento, pois cada afluente possui suas particularidades, há aqueles com altos índices de turbidez, cor, matéria orgânica etc. Sem o devido tratamento é bem provável que a água não atenda aos requisitos exigidos pelas legislações vigentes. 
Para que sejam utilizados em atividades rotineiras, como limpeza e higiene, é preciso que passem por alguns processos. Neles, a água passa por etapas que visam a eliminação de impurezas e resíduos, na maioria das vezes advindos da própria natureza. Entre eles estão galhos, folhas e partículas orgânicas. 
A partir daí, a água tratada segue para uso da população em seus afazeres diários. 

Afluente e Efluente no saneamento

“Cada composto em determinada concentração pode afetar o meio ambiente ou o processo, em caso de reúso. Ou seja, em concentrações acima das recomendadas em normas ou legislações, esses compostos podem afetar de forma prejudicial, necessitando então de tratamento para remoção e enquadramento dos parâmetros em concentrações permitidas, que não são prejudiciais” – enfatiza Neto.

Afluente e Efluente no saneamento

No caso dos efluentes, as etapas de tratamento serão de acordo com as características dos mesmos. Em ambos os casos, os procedimentos de tratamento podem físicos, físico-químicos e/ou biológicos. Os processos físicos são aqueles que são realizados sem adição de produtos químicos como sedimentação, gradeamento, filtração ou flotação. 
Já os processos físico-químicos envolvem reações químicas através da dosagem de coagulantes, floculantes, ácido, base, adsorventes, oxidantes, etc. Por fim, os processos biológicos são aqueles que envolvem ação de microrganismos para degradação da matéria orgânica. Um tratamento convencional é composto das seguintes etapas: 
Coagulação e Floculação: Nestas etapas, as impurezas presentes na água são agrupadas pela ação do coagulante, em partículas maiores (flocos) que possam ser removidas pelo processo de decantação. Os reagentes utilizados são denominados de coagulantes, que normalmente são o Sulfato de Alumínio, Policloreto de Alumínio, entre outros.
Aqui também poderá ser necessária a utilização de um alcalinizante (Cal Hidratada ou Barrilha leve) que fará a necessária correção de pH para uma atuação mais efetiva do coagulante. Na coagulação ocorre o fenômeno de agrupamento das impurezas presentes na água e, na floculação, a produção efetiva de flocos.
Decantação: Os flocos formados são separados da água pela ação da gravidade em tanques normalmente de formato retangular.
Filtração: A água decantada é encaminhada às unidades filtrantes onde é efetuado o processo de filtração. Um filtro é constituído de um meio poroso granular, normalmente areia, de uma ou mais camadas, instalado sobre um sistema de drenagem, capaz de reter e remover as impurezas ainda presentes na água.
Desinfecção: Para efetuar a desinfecção de águas de abastecimento utiliza-se um agente físico ou químico (desinfetante), cuja finalidade é a destruição de microrganismos patogênicos que possam transmitir doenças através das mesmas. Normalmente são utilizados em abastecimento público os seguintes agentes desinfetantes, em ordem de frequência: cloro líquido, ozônio, luz ultravioleta.
Fluoretação: A fluoretação da água de abastecimento público é efetuada através de compostos à base de flúor. A aplicação destes compostos na água de abastecimento público contribui para a redução da incidência de cárie dentária em até 60%, se as crianças ingerirem desde o seu nascimento quantidades adequadas de íon fluoreto.

Importância dos processos e aplicações
É fundamental destacar que mesmo ambos precisarem de tratamentos adequados, é comum dar mais destaque e ter um cuidado maior com o efluente. Isso porque, quando descartado na natureza de maneira inadequada pode contaminar, justamente, o afluente. Ressaltando ainda mais a importâncias de se realizar o tratamento.
Tal ação contribui para preservação dos recursos hídricos, evitando a poluição de rios, mananciais, etc, além de garantir sempre água tratada de excelente qualidade e dentro dos padrões de potabilidade. Segundo Faria, em alguns casos o tratamento gera água de reúso, tornando o processo sustentável, gerando economia no bolso da empresa.
Após tratado, os afluentes podem ser utilizados para consumo potável (banho, preparo de alimento, consumo direto), em processos industriais e diversas outras aplicações. Os efluentes, na maioria dos casos, deverão atender as premissas de descarte controlado conforme CONAMA 430/21, CETESB, entre outros. Também poderá ser reutilizado no processo novamente, mas para isso deve-se realizar um estudo de viabilidade.
O mais comum ainda é a realização do tratamento com o intuito de atendimento as legislações vigentes. A Gmar Ambiental foca e trabalha para que seus equipamentos proporcionem o reúso do efluente tratado. Dessa forma o cliente final tem a opção de reutilizar ou descartar seus efluentes. Faria conta que a missão da empresa é retransmitir ao cliente que não é necessário água potável para descarga de vasos sanitários, mictórios, lavagem de veículos. E sim, água de reúso!

Afluente e Efluente no saneamento

“No Brasil nós temos legislações estaduais com exigências diferentes, além do fato de que deve ser considerado o local onde será descartado o esgoto tratado, e assim definir a tecnologia necessária, seja para atingir determinada eficiência na remoção de DBO, seja para remoção de nitrogênio e fósforo ou ainda qualquer outro parâmetro” – ressalta Neto.
Nesse sentido, ainda segundo ele, não se deve escolher uma tecnologia e acreditar que ela é a melhor para todos os casos. Cada situação tem que ser estudado por especialistas, a fim de se obter o melhor projeto. 
 

Contato das empresas
Alphenz:
www.alphenz.com.br
Gmar Ambiental: www.gmarambiental.com.br

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