O reúso como alternativa para escassez de água

Embora cerca de dois terços do planeta seja recoberto por água, apenas cerca de 3% corresponde à água doce


O reúso como alternativa para escassez de água

Embora cerca de dois terços do planeta seja recoberto por água, apenas cerca de 3% corresponde à água doce. Desse percentual, 0,04% estão disponíveis para captação superficial, como rios e lagos, fontes altamente utilizadas para fins de abastecimento público no Brasil. Sem falar que a disponibilidade hídrica brasileira é irregular, com maior abundância na região Norte, menos populosa, e menor disponibilidade em regiões populosas como no Sudeste e Nordeste do país, que demandam maior volume de água para consumo. 
Este fato, atrelado ao alto índice de perdas de água (40%), ao crescimento populacional e ao aumento da poluição dos corpos hídricos, além das mudanças climáticas que impactam o ciclo de chuvas, ocasionam problemas cada vez mais frequentes relativos à qualidade e à escassez de água, como as crises hídricas que regiões metropolitanas como São Paulo e Salvador enfrentaram na última década. 
Além disso, as atividades comerciais e industriais demandam cada vez mais grandes volumes de água para fins muitas vezes não nobres ou secundários, que poderiam ser supridas com água não potável. Nesse sentido, o reúso de água torna-se premente neste cenário, podendo atender a demandas que não envolvam o consumo direto de água.
Renan Hiroshi Saito, gerente de novos negócios da General Water, explica que água de reúso é aquela proveniente de uma água que já foi extraída da natureza e, após passar por um processo pode ser reaproveitada. “No Brasil, a água de reúso é utilizada para fins não potáveis, ou seja, para atividades que não possuem contato com o ser humano, considerado esse um fim nobre” – destaca.  
Indo de encontro com essa definição, de acordo com a norma brasileira ABNT NBR 16.782:2019 - Conservação de água em edificações - água de reúso é aquela previamente utilizada e que, mediante tratamento adequado, pode ser reutilizada. “Trata-se da água que direta ou indiretamente é aplicada no âmbito industrial ou urbano em substituição ao recurso oriundo de uma fonte nobre de fornecimento, tais como: rede concessionária pública, poços profundos ou artesianos e corpos superficiais” - completa Diogo Taranto, diretor de desenvolvimento de negócios no Grupo Opersan.
No cenário atual, de crescente escassez de água potável no mundo, o reúso vem como importante maneira de reduzir o consumo de água potável. Além disso, a Engª Sibylle Muller, do Grupo AcquaBrasilis explica que traz também o benefício ambiental com a preservação dos recursos hídricos naturais, deixando-a para fins em que a potabilidade não é exigida.

O reúso como alternativa para escassez de água

“As águas classificadas como de reúso são uma excelente alternativa para a crise hídrica atual que o Brasil enfrenta, principalmente por que evita o uso de boa parte da água potável para fins menos nobres, fazendo com que o uso da água seja mais sustentável” – destaca Roberto Roberti Junior, engenheiro da Tecitec.

O reúso como alternativa para escassez de água

Reúso e aproveitamento de águas
Em princípio, águas de reúso são aquelas que provêm do tratamento do esgoto bruto, do tratamento da água cinza (lavatórios, chuveiros e lavagem de roupa), águas de chuva, de drenagem (de lençol freático) e de condensação de sistemas de ar condicionado. Sérgio Kochen, diretor da Reuságua e também um dos responsáveis pela elaboração da norma NBR 15227, explica que é preciso, antes de mais nada, entender a qualificação dessa prática. 
A água de chuva, por exemplo, não está sendo reusada e sim aproveitada pela primeira vez. Desta forma, o reúso seria apenas para águas cinzas e águas negras, uma vez que já foram utilizadas para outros fins. “Apesar de existir uma denominação correta popularizou-se tudo como reúso, mas é valido lembrar sempre dessas diferenças para entender o processo como um todo” – enfatiza. 
Água de chuva: coletada em coberturas e telhados, sem a circulação de pessoas, animais ou veículos; 
Água pluvial: coletada em pisos e lajes, com circulação de pessoas, animais, veículos;
Água de rebaixamento de lençol freático: resultante de rebaixamento para alívio de pressões no subsolo;
Água clara: gerada, por exemplo, em sistemas de resfriamento, vapor e condensado ou destilação;
Água cinza clara: proveniente de chuveiros, banheiras, lavatórios, tanques e máquinas de lavar roupa;
Água cinza escura: proveniente de pia de cozinha, máquina de lavar louça, considerada isoladamente ou somada à água cinza clara;
Água negra: proveniente de bacias sanitárias e mictórios;
Esgoto sanitário: toda a água servida proveniente de aparelhos hidrossanitários do empreendimento.
Segundo Junior existem diversas teorias e classificações para essas águas, sempre de acordo com o tipo de reúso, para que após uma reutilização mais nobre a água possa ser aplicada para um fim menos nobre até ser tratada novamente e iniciar um novo ciclo.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define que a água de reúso pode ser classificada em três tipos: reúso indireto (planejado e não planejado), reúso direto e reciclagem interna.
O Reúso indireto não planejado ocorre quando a água, utilizada em alguma atividade humana, é descarregada no meio ambiente e novamente utilizada à jusante (rio-abaixo), em sua forma diluída, de maneira não intencional e não controlada.
O reúso indireto planejado, por sua vez, ocorre quando os efluentes, depois de tratados, são descarregados de forma planejada nos corpos de águas superficiais ou subterrâneos, para serem utilizadas à jusante, de maneira controlada, no atendimento de algum uso benéfico.
Já o reúso direto ocorre quando os efluentes, após tratados, são encaminhados diretamente de seu ponto de descarga até o local do reúso, não sendo descarregados no meio ambiente. Por fim, a reciclagem interna ocorre quando o reúso da água acontece internamente às instalações industriais, tendo como objetivo a economia de água e o controle de poluição.
“Por outro lado, a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) adota uma classificação de reúso de água em apenas duas grandes categorias: potável e não potável. Esta classificação é amplamente adotada por sua praticidade e facilidade” – explica o gerente da General Water. Ele destaca ainda que, embora no Brasil ainda não exista uma legislação que permita o reúso da água para fins de potabilização, já existe em diversos outros países.

O reúso como alternativa para escassez de água

Para Sibylle, a reutilização da água deve ser decorrente de ações planejadas, ou seja, realizada a partir de um balanço hídrico, elaborado com a identificação dos diferentes volumes diários de água ofertados, sejam potáveis ou não potáveis (oferta), e dos volumes diários de água necessários, para diferentes necessidades.
“Temos vários tipos de reúso, os quais requerem diversos tratamentos com inúmeras finalidades, normalmente implantados em frentes Industriais ou no Saneamento. Muitas vezes o reúso tem que nascer com o projeto, ou se tiver o sistema implantado faz todo sentido pensar em adequar os processos com ênfase nesse reaproveitamento” – completa Rodrigo Nunes da Silva, gerente de negócios da Veolia. 

O reúso como alternativa para escassez de água

Tratamentos e aplicações
A água de reúso ainda pode-se dividir em mais dois outros grupos. O primeiro deles é o uso não potável menos restritivo, que são para fins de abastecimento das bacias sanitárias e mictórios, irrigação, lavagens de pisos e pátios, incêndio e arrefecimento em telhados. 
O outro é o para uso não potável mais restritivo, utilizados para as torres de resfriamento, caldeiras ou usos industriais. 
“Os parâmetros de controle para o reúso dependerão diretamente do tipo de uso, sendo ao mais comuns: sólidos dissolvidos totais, condutividade, dureza, cloretos, sílica, alcalinidade, DQO, dentre outros” – ressalta Saito. 

O reúso como alternativa para escassez de água

A tecnologia de tratamento a ser adotada para garantia da qualidade da água é definida com base nas caraterísticas do efluente. O esgoto doméstico demanda um tratamento essencialmente biológico, enquanto o efluente industrial demanda um tratamento físico-químico. No caso da água de chuva, a norma pede apenas filtração e higienização.  
De acordo com Marcus Vallero, gerente comercial da Suez, há técnicas e tecnologias variadas. As mais utilizadas são: MBR (Bioreator com Membranas), amplamente utilizado para a remoção de orgânicos e sólidos de efluentes, UF – ultrafiltração, utilizado para a remoção de sólidos em suspensão e contaminantes biológicos, sistemas de dessalinização (EDR – Eletrodiálise Reversa, NF - Nanofiltração, OR – Osmose Reversa) e sistemas de evaporadores / cristalizadores.
“Existem diversas tecnologias e devemos avaliar caso a caso visando os pontos a serem reutilizados dentro da indústria ou saneamento, sempre pensando na relação de três linhas: melhor tecnologia, projeto sustentável e economicamente viável, dependendo da sua reutilização” – complementa Silva.

O reúso como alternativa para escassez de água

No caso das águas cinzas, águas negras ou esgoto sanitário, Sibylle destaca que o tratamento mais indicado é o biológico, seguido de filtragem e desinfecção. Ela ressalta que no caso da água cinza, que tem carga orgânica baixa, o tratamento biológico por lodos ativados nem sempre é eficiente. Como alternativa, existe o tratamento físico-químico, com uso de que uso de produtos químicos específicos e geração de lodo a ser descartado.

O reúso como alternativa para escassez de água

Dentre os diversos tipos de tratamentos, Saito destaca as tecnologias por meio da utilização de membranas filtrantes que funcionam como barreiras de determinados elementos do esgoto. Por exemplo, na etapa biológica do tratamento pode-se utilizar membranas de ultrafiltração, que funcionam como uma barreira que retêm a biomassa (lodo), garantindo um maior controle e eficiência de tratamento.
A água de reúso para fins mais restritivos, por sua vez, apresentam maiores restrições de parâmetros de qualidade da água que podem exigir uma etapa adicional, podendo ser a tecnologia de Osmose Reversa. Nesse caso, a membrana semipermeável retém os sais e permite apenas a passagem da água purificada, separando permeável para solventes e impermeável para solutos. O sistema remove até 99% de cloreto de sódio, além de possuir quase a mesma eficácia para outros minerais presentes na água.
As águas de chuva podem ser tratadas por processos físico-químicos, por filtragem e desinfecção. Usam-se desde simples separação de sólidos com ou sem cloração, até sistemas com filtros de areia e carvão ativado, com dosagem de cloro, automatizados. Segundo Kochen, atualmente, por causa do custo de implementação, espaço e viabilidade, esses sistemas são mais utilizados.  
“A estação de tratamento para água cinza é bem mais sofisticada e maior do que um sistema de água de chuva, que só precisa de filtragem e higienização. Já no tratamento de esgoto, ou água negra, o processo é ainda mais profundo. Uma Estação de tratamento de efluente (ETE) normalmente não é feita para reaproveitar a água, mas sim porque não se pode lançar o esgoto na natureza da forma que está, a legislação exige um tratamento” – destaca Kochen.
Ele ressalta ainda que que, por causa da sua complexidade, é muito difícil que uma ETE seja implantada prédio ou edifício, o mais habitual é sua presença em fábricas e indústrias. Lembrando que para tornar essa água aproveitável, será necessário um sistema bem mais profundo e específico de tratamento. 

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As águas podem ser utilizadas para diversos fins, dentre eles para irrigação, uso doméstico e urbanos, na indústria, construção civil e aquíferos. Taranto detalha um pouco mais de cada aplicação:
Uso industrial: para refrigeração, alimentação de caldeiras, água de processamento, lavagem de materiais e equipamentos, combate a incêndio, sistemas de ar condicionado;
Construção civil: umectação de solos, preparo de cimentos, lavagem de materiais e equipamentos;
Recarga de aquíferos: recarga de aquíferos potáveis, controle de intrusão marinha, controle de recalques de subsolo;
Na Irrigação: aplicadas diretamente em campos, jardins, viveiros ornamentais;
Uso doméstico e urbano: vasos sanitários e mictórios, lavagem de veículos, de ruas, pisos, garagens.
“A que mais vemos é o uso para irrigação, que pode ser tanto para a agricultura quanto para os ditos usos recreacionais e lazer, como para a irrigação de plantas ornamentais ou enchimento de lagoas ornamentais, campos de esporte, parques quanto para parques e outros equipamentos urbanos. A segunda mais praticada é o reúso de água para fins industriais” – ressalta Marcus Vallero.

Sustentabilidade e retorno financeiro 
Com a ideia muito atual em cima da sustentabilidade, é muito comum que novos empreendimentos busquem incluir em seus projetos sistemas para reúso de água cinza e água de chuva. Segundo o relatório, ano base 2018, do Green Building Council Brasil, responsável pela certificação LEED -  Leadership in Energy and Environmental Design, que visa acelerar a adoção de práticas de construção sustentável, no Brasil 531 edifícios possuem essa certificação, na qual, um dos quesitos obrigatórios é o reaproveitamento de água.
Kochen explica que esse tipo de certificação quase que obriga a ter um sistema de reúso para chegar na pontuação necessária, e isso é bom. “Hoje quando se pensa em adquirir um apartamento, um selo ou certificação raramente vai interferir na decisão de compra, mas já no mercado comercial, que engloba prédios de escritórios, por exemplo, fará diferença. Vejo isso como um passo importante para essa questão” – enfatiza. 
O fato é, que com o crescente aumento da escassez de água potável e consequentemente o aumento no custo do seu tratamento, o reúso tem se tornado progressivamente um negócio sustentável. “Além disso, a partir do custo de implementação de um sistema de tratamento, considerando os custos de manutenção e operação, tem sido possível demonstrar aos empreendedores vantagens financeiras importantes com redução significativa de gastos com água, além de ganhos de imagem, pela introdução de itens de sustentabilidade ambiental em seus empreendimentos” – completa Sibylle Muller.
Pensando no conceito Triple Bottom Line de sustentabilidade – social, ambiental e econômico – o retorno financeiro é parte integrante para que o negócio seja sustentável. Segundo Saito, na grande maioria dos negócios, além do ganho ambiental e social, as empresas de forma geral trabalham no conceito de otimização de recursos naturais e retorno financeiro, melhorando seus índices de sustentabilidade. 
Na prática, de acordo com Kochen, é possível sim pensar em economia na conta de água. Ele explica que cada prédio ou empreendimento tem seu uso e seus costumes, o retorno vai variar conforme a utilização de água. Em um espaço onde o jardim é pequeno, por exemplo, o retorno vai demorar um pouco mais do que naquele que tem um jardim maior. “Podemos falar de 2 a 4 anos para o retorno do capital investido, e entre 10 a 40% da conta, sendo esse maior percentual considerando em uma fábrica, que usa a água de forma mais intensa que em um condomínio residencial” – afirma. 
Em regiões afetadas pela falta de água, onde o seu custo aumenta substancialmente e onde a outorga para a captação de mananciais pode ser reduzida ou cancelada, as tecnologias de reúso passam a fazer ainda mais sentido econômico. Essa viabilidade para o reaproveitamento é um critério muito importante para as indústrias e cidades. 

O reúso como alternativa para escassez de água

“As práticas de reúso da água, aplicadas principalmente nos grandes centros urbanos, onde há uma densidade populacional muito maior do que a demanda hídrica disponível, podem ser entendidas  como uma ação imprescindível para se manter a disponibilidade da água para a população, reduzir o lançamento de contaminantes em corpos receptores e tornar o empreendimento que se utiliza destas práticas mais competitivo/econômico na função de custos e com uma ideia mais sustentável de preservação do meio ambiente” – afirma Vallero. 
A água não é um recurso inesgotável, daí a importância de tratá-la e reutilizá-la. O crescimento populacional e as alterações climáticas aceleram a redução da disponibilidade de água em determinadas regiões. A água de reúso permite que haja mais água potável para o abastecimento público, ajudando a economizar os recursos naturais para uso de toda a sociedade. 
Apesar de vermos passos positivos, Silva destaca que para maior disseminação da prática ainda falta a conscientização ambiental, além de incentivos das autoridades e, a obrigatoriedade de novos projetos nascerem com o sistema de reúso. “Infelizmente, no Brasil muito de fala, porém pouco colocado em prática. Se o povo se conscientizar que a água é um bem que tão logo vai faltar, ou melhor já está faltando e colocar em prática resolveremos o problema da falta de água, despoluição dos rios, saneamento básico e estaremos no caminho certo” – enfatiza. 

O reúso como alternativa para escassez de água

Quando o assunto é legislação, há alguns projetos, em processo de aprovação, que pretendem trazer a implementação desses sistemas. Um deles é o Projeto de lei 324, de 2015. Ele tramita no Senado Federal e visa tornar obrigatória a instalação de equipamento para a captação e reúso não potável de água da chuva em novas construções, residenciais, comerciais e industriais, público e privado.
Paralelo, em análise na Câmara dos Deputados, temos o Projeto de Lei 2451/20, que também visa que seja obrigatório o reúso da água, proveniente da chuva, de estações de tratamento de esgoto ou do tratamento de líquidos do processo industrial, em novas edificações públicas, residenciais, comerciais e industriais, exceto para o consumo humano – em cidades para as quais a lei exija plano diretor, sendo optativo nas demais.
Em ambos os casos, a ideia é melhorar a gestão desse recurso tão importante, reduzindo o desperdício de água limpa, estimulando a população e governo a reutilizar a água antes de enviá-la às redes de esgoto, destinando-a para atividades que aceitem usos menos exigentes, priorizando a oferta de água potável para o consumo humano. 
Sérgio Kochen destaca que a implementação de um sistema de reúso de água em prédios já existentes é mais complexo, isso porque será precisa reorganizar toda a estrutura do local, como caixa da água, torneiras, tubulação, e muitos acabam não aprovando esse tipo de projeto. “Em prédios novos o sistema já vem da obra, então se usa e passa a ser viável porque já está ali. Nesse sentido, com incentivos e, principalmente, a lei de obrigatoriedade em prédios novos, fica mais fácil. Esse é o caminho” – enfatiza. 
Para Vallero, a ausência, justamente de uma norma ou regulamentação específica pode limitar a sua aplicação e impedir que a água de reúso possa ser utilizada em atividades onde, em outros países, já é amplamente utilizada e aceita. Temos que aprofundar ainda mais esse debate, sua normatização e enfatizar políticas que possam estimular a instalação de sistemas produtores de água de reúso.
“Se implementada em larga escala, esta pratica poderá resolver sim a questão de falta de água, pois nos obriga a promover o uso sustentável dos recursos hídricos de cada região” – finaliza Junior. 
 

Contato das empresas
AcquaBrasilis:
www.acquabrasilis.com.br
General Water: www.generalwater.com.br
Grupo Opersan: www.opersan.com.br
Reuságua: www.reusagua.com.br
Suez: www.suezwatertechnologies.com.br
Tecitec: www.tecitec.com.br
Veolia: www.veolia.com 

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