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Sistemas para aproveitamento de água

O tema sobre o uso da água tem se tornado recorrente nas últimas décadas e uma preocupação mundial


Sistemas para aproveitamento de água

O tema sobre o uso da água tem se tornado recorrente nas últimas décadas e uma preocupação mundial. Segundo a ANA - Agência Nacional de Águas, estima-se que apenas 2,5% de toda a água do planeta seja própria para consumo humano. Deste volume de água doce, mais de 2/3 formam as geleiras dos polos, sendo de dificílima extração.
Diante desse cenário, resta aos dias atuais, a captura de águas subterrâneas, ainda de custos muito elevados, e uma porcentagem a se considerar de rios e lagos com cerca de 0,02% do total de água da terra. É nesta última parte que o mundo se debruça para gerenciar e manter acesso desse bem tão precioso às populações.
Dados da Unicef apontam que menos de 50% da população mundial tem acesso à água potável. Mais de 35% das pessoas não tem acesso à água tratada e 10 milhões de pessoas morrem anualmente por doenças oriundas de águas contaminadas. No Brasil, segundo informações da CETESB, mais de 70% da água é destinada para irrigação e cerca de 20% para a indústria, ou seja, segundo Thiago Carneiro de Souza, representante da Rotogine, com o crescimento populacional e o subsequente aumento da demanda por comida, a tendência é que em pouco tempo tenhamos escassez de água e consequente falta de alimentos.
Ele explica ainda que no Brasil é possível dizer que os principais agravantes da escassez de água são: regiões que enfrentam fortes períodos de secas, má gestão dos recursos hídricos e distribuição desigual das reservas hidrográficas. “Estes números mostram o quanto é essencial repensar sobre o consumo de água. Avaliar desde o uso individual para beber, banhar-se, lavar roupas, utensílios, fazer a limpeza da casa, até os processos de cadeia de produção como indústria, comércio, construção civil e agricultura” – afirma.
A grande questão é que essa escassez não se limita a países ou regiões mais afastadas, grande parte da população brasileira ainda não tem acesso à água potável e são milhares de boletins de ocorrência espalhados por quase todos os estados, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com Solange Zeppini – gerente comercial da Hydro Z, essa situação é provocada principalmente em função do consumo excessivo, aumento constante da população e poluição das fontes disponíveis.
Ela relembra que desde a crise hídrica de 2013, em São Paulo, o Sistema Cantareira é monitorado diariamente em regime de alerta. Ou seja, mesmo com índices pluviométricos que as vezes superam a média histórica, ainda assim, o sistema não chega ao seu nível máximo. “Em função do cenário apresentando é importante que se reforcem as campanhas de conscientização e a população de forma geral, tanto empresas com cidadãos, adotem em seu dia-a-dia práticas para consumir conscientemente esse recurso”- enfatiza a gerente.
Sabendo desta problemática, é imprescindível que a forma de geração, distribuição e consumo seja constantemente repensada e que políticas públicas sejam criadas e aperfeiçoadas para evitar problemas ainda mais graves. Neste exercício, há alguns anos o reaproveitamento surgiu como uma importante alternativa para combater a escassez de água. Esta prática, além de reduzir o consumo, diminui a geração de efluentes e os insumos relacionados a estes processos (energia, produtos químicos), tornou-se também uma possível fonte de economia para os consumidores.

Sistemas para aproveitamento de água

Por que é tão importante reaproveitar água?
Não há dúvida que escassez de água potável nos grandes centros urbanos no Brasil é assunto da maior importância. Embora tenhamos grandes reservas de água superficial na região Norte e no subterrâneo, em muitas outras regiões do país, há dificuldade de abastecimento de água, principalmente, em locais de maior vulnerabilidade social.
De acordo com Diego S. Epiphanio, engenheiro ambiental e responsável técnico da ECTAS, um dos principais fatores para o racionamento está relacionado com a falta de planejamento urbano. Ele explica que existem cidades com elevados índices de adensamento populacional, localizadas em áreas longínquas de mananciais, tornando a população/produtores/prestadores de serviços suscetíveis a escassez de água, especialmente em períodos de estiagem.
Desta forma, é inevitável uso racional desse bem tão importante. Uma forma para que isso aconteça é substituindo a água potável por água de reúso, em fins em que a potabilidade não é necessária. O aproveitamento de águas de chuva, por exemplo, é um grande aliado nesse caso, preservando os mananciais para usos mais nobres, como consumo humano, e reduzindo despesas mensais com consumo de água.

Sistemas para aproveitamento de água

Estamos falando de um movimento global, essa nova tendência e a ameaça de racionamento de água tem aumentado significativamente a procura por imóveis sustentáveis. “Isto, de fato gera preocupação e, por este motivo, é importante que cada vez mais os empreendimentos considerem na concepção de seus projetos, estruturas que possibilitem a captação, tratamento e distribuição de água de reúso. Isto já vem ocorrendo e é notória a crescente busca por empreendimentos sustentáveis” – afirma Epiphanio.
Tanto imóveis isolados quanto os de condomínios tem sido impactados pela questão do uso racional de água. Dentre todos os aspectos, salienta-se os ambientais e econômicos na reflexão deste cenário. Souza explica que os locais com abastecimento de água por sistemas públicos, invariavelmente, sofrem pela inconstância no atendimento, que pode ser provocado pela engenharia e falta de manutenção da rede, por excesso de consumo da população ou por falta de chuvas nos reservatórios.
Sendo a água um item essencial para as necessidades básicas e conforto das famílias, torna-se de suma importância um melhor aproveitamento dessas águas nos imóveis. Para Souza, um condomínio, mesmo sendo abastecido por redes públicas ou por captação de poços não deve descartar nenhuma outra fonte alternativa de água, permitindo consumir a água da chuva, por exemplo, em atividades de rotina, como rega dos jardins, lavagem de áreas comuns e descargas em vasos sanitários.
Sibylle Muller, engenheira da AcquaBrasilis afirma que o reúso de água já é considerado como um item fundamental quando o assunto é imóvel sustentável. O reúso de água cinza ou de esgoto é perene e disponível praticamente durante todo o ano, por isso o aproveitamento de águas de chuva faz muito sentido em empreendimentos localizados em regiões com bons índices pluviométricos.
“Há também sistemas de aproveitamento de águas de drenagem que são aquelas subterrâneas superficiais, em muitos empreendimentos são coletadas nos subsolos e descartadas por bombeamento para a galeria das águas pluviais. A implementação dos sistemas de reúso de água têm sido um diferencial importante na comercialização de imóveis. Além aspecto ambiental, cada vez mais valorizado, permitem uma economia financeira nas contas dos condomínios” – afirma.
De acordo com Solange, uma grande vantagem desse setor é que hoje já existem sistemas que permitem o reúso de água, reduzindo taxas condominiais, proporcionando relevante economia e retorno do investimento realizado para os seus habitantes. Outro benefício que não se aplica diretamente ao condomínio, mas na contribuição para a sociedade como um todo, é na redução da carga para a rede pública de coleta e distribuição de água, que consequente pode atender um número maior de pessoas.

Sistemas para aproveitamento de água

Sistemas para aproveitamento de água

Tipos de sistemas e como funcionam
Os sistemas de tratamento servem para remover os poluentes da água e assegurar condições ambientais, operacionais e sanitárias adequadas para a aplicação de reúso. O funcionamento do sistema e o nível de automação dependem das especificidades do projeto e das exigências do cliente/empreendimento. “O mercado não está mais a procura de apenas equipamentos, e, sim de soluções que o satisfaçam integralmente”- destaca o engenheiro da ECTAS.
De acordo com Epiphanio existem diversos e diferentes sistemas para promover o tratamento da água e proporcionar condições de reúso. Cada situação deve ser avaliada de maneira singular, inclusive se necessário, deve ser feita a caracterização físico química e biológica da água residuária a ser tratada.
É imprescindível que sejam compreendidos os requisitos mínimos de qualidade que a água de reúso deverá atingir e isto está diretamente relacionado com a atividade para a qual ela será utilizada. Os parâmetros exigidos para reúso em irrigação são uns, para descarga em sanitários são outros, para aplicação em processos industriais são ainda distintos, e assim sucessivamente.
Aproveitamento de Águas Pluviais: Sistemas que permitem realizar a captação, a fim de promover o tratamento adequado e disponibilizar a água da chuva em atividades do dia a dia. Atualmente existem soluções para aplicações tanto em uma residência unifamiliar, como para grandes empreendimentos residenciais.
Estes sistemas são constituídos dos sistemas de captação: telhados, calhas, condutores verticais, reservatórios e dos sistemas de tratamento de águas de chuva. Apesar de cair do céu, a chuva pode carrear consigo partículas suspensas no ar, principalmente, em regiões poluídas e restos e dejetos de animais mortos que ficam nos telhados.
Para tratamento de águas de chuva é importante dispor de dispositivos de retenção de resíduos grosseiros nas calhas, para evitar entrada deles no conjunto de tubulações que conduzem à central de tratamento. Sua eficiência vai depender do tamanho máximo da partícula, sua passagem e da manutenção contínua a ser realizada no sentido de remoção constante dos resíduos acumulados.
Filtros do tipo peneira: instalados no caminho das águas de chuva captadas e nas prumadas de tubulações de coleta verticais. Sua função é separar os sólidos, e sua eficiência depende do tamanho da partícula a ser remover. Requer limpeza constante para que os poros não fiquem obstruídos, nem em todos são dotados de desinfecção do sistema.
Filtros do tipo bag e cartucho: Instalados após reservatórios de armazenamento de água de chuva. A água é bombeada a partir dos reservatórios e passa pelos dispositivos de filtragem e por dispositivos de desinfecção. Para não comprometer a filtragem é necessário limpeza e manutenção manual, além da substituição periódica de cartuchos.
Filtros com meio filtrante com retrolavagem: Instalados após reservatórios de armazenamento de água de chuva. A água é bombeada a partir dos reservatórios e passa pelo filtro e por dispositivos de desinfecção. A limpeza e a lavagem dos filtros podem ser ativadas manualmente ou de forma automatizada, sem intervenção humana e sem perda de eficiência da remoção dos resíduos.
“Para o melhor aproveitamento da água de chuva é possível realizar projetos e instalações de sistemas com filtragem automática ou manual, dimensionados especialmente para cada caso, de acordo com o volume captado. Trata-se de sistemas onde a água é armazenada e tratada por meio filtros com retrolavagem automática. Após a filtragem, a água passa por desinfecção” – destaca Sibylle.

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Tratamento de Águas Cinzas: Consiste na captação de águas provenientes de lavatórios, chuveiros, lavagem de roupas, entre outras fontes. Normalmente são aplicados em condomínios verticais ou horizontais, pois demandam um consumo maior de água para justificar sua aplicação.
As águas cinzas têm um teor de contaminantes menor que o esgoto, por isso não é toda a tecnologia para tratamento de esgotos que se adequa para o tratamento de águas cinzas. Existem sistemas biológicos (baseado em degradação com bactérias já existentes no efluente, sem geração de lodo químico) e sistemas físico-químicos (com geração de lodo e necessidade e armazenamento de produtos químicos).
Durante o processo de tratamento biológico, o efluente passa por tanque com rotores, com “recheio” de material de contato em forma de favo de colmeia de abelhas, sobre o qual se forma o chamado biofilme, responsável pela desejada degradação de matéria orgânica. Muito prático e compacto, o sistema tem grande eficiência, fácil instalação e não causa ruídos altos e tem baixíssimo consumo de energia elétrica.
A água tratada é bombeada para reservatório para ser distribuída para pontos de consumo de água não potável, como caixas de descarga de vasos sanitários, lavagem de pisos e calçadas, irrigação de jardins, conforme projeto. O sistema é flexível, atendendo as variações de vazões, tão comuns ao longo de cada dia e das épocas do ano. No caso dos sistemas de reúso propriamente dito, os efluentes, esgoto ou água cinza são coletados e encaminhados por tubulação própria para uma central de tratamento.
A AcquaBrasilis adota tecnologia por tratamento biológico, pela sua eficiência e por não gerar lodos com componentes químicos de descarte controlado. “A água tratada e desinfetada volta, por bombeamento, para reservatório, a partir do qual deve ser direcionada para pontos de consumo, como descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins e canteiros, lavagem de áreas comuns, pisos e calçadas” – explica Sibylle.
Tratamento Sanitário: Soluções que permitem realizar o tratamento de efluentes sanitários, e em determinados casos, reutilizá-los após o tratamento adequado. Existem soluções para realizar o tratamento prévio ao descarte, desde uma residência até grandes empreendimentos, porém com a possibilidade de reúso sendo mais comum para grandes consumos.
Águas de drenagem: Geralmente captadas no subsolo dos empreendimentos por “minarem” nas lajes inferiores. Esse tratamento constitui de sistemas de filtragem com ou sem remoção de ferro e manganês. Nesse caso é preciso realizar análises da água para verificação da sua composição e a partir daí desenvolver projeto que envolva a remoção dos eventuais contaminantes. Em geral, filtragem e desinfecção resolvem e atendem os requisitos necessários para o uso desta água em fins não potáveis.
“Para todo o empreendimento recomenda-se um estudo que resulte num balanço hídrico para mostrar tipos e volumes de água disponíveis em contrapartida com os volumes necessários em cada tipo de uso. A partir daí, é possível desenvolver soluções que visam o menor consumo possível de água potável, o melhor aproveitamento das águas disponíveis, com o menor custo x benefício” – afirma a engenheira da AcquaBrasilis.
Os sistemas de tratamento são compostos por um ou mais processos podendo ser por meios físicos, químicos e/ou biológicos, e a definição de qual, ou, quais destes processos farão parte da solução, dependerá da análise inicial da demanda.
Epiphanio explica ainda que quando pretende-se reutilizar efluente sanitário, além do tratamento preliminar, usualmente aplica-se o tratamento biológico como parte constituinte da solução, neste caso, deve-se atentar se há à necessidade de remover nutrientes e, obrigatoriamente, deve-se ter uma eliminação eficaz de microrganismos patógenos.
É recomendado o uso de tratamento biológico aeróbio, devido à elevada performance na remoção dos poluentes e a ausência de produção de gases odoríferos. Após a etapa biológica, o efluente é encaminhado para um polimento final, normalmente constituído por filtro de areia/carvão ativado e desinfecção, que pode ser feita através da adição de hipoclorito de sódio, raios UV-C e até ozônio.

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“Além disso, para situações em que os processos supracitados não são suficientes para atingir o padrão estético requerido e/ou a qualidade necessária para a atividade de reúso, pode-se utilizar outros processos complementares, como: coagulação e floculação para auxiliar na separação de fase sólida/líquida; membranas de ultrafiltração para remover bactérias, virús e colóídes; membranas de osmose reversa ou troca iônica para retirar sais. Todos estes processos proporcionam também melhora no aspecto visual da água de reúso” – completa Epiphanio.
Um sistema de reúso de água em um condomínio traz sempre grandes benefícios. Faz-se uma poupança enorme em dinheiro quando pode-se acumular e usufruir da água de chuva. Assim como reutilizar água de banheiros, cozinhas e áreas de serviço. Ecologicamente, todo recurso que o condomínio já tem em mãos será reaproveitado, diminuindo impactos tanto no consumo, quanto na devolução do insumo ao meio ambiente. Souza ressalta que é importante salientar que não se deve misturar águas provenientes de chuvas com as redes de água potável.

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Principais cuidados e normas vigentes
Os cuidados com o reaproveitamento de água vão variar de acordo com o tipo de sistema implementado. De acordo com Solange, em sua maioria, os sistemas demandarão por algum tipo de manutenção ou limpeza. Hoje, existem sistemas bastante automatizados, que reduzem consideravelmente a necessidade de manutenção dos mesmos, entretanto esses não eliminam completamente a necessidade dessas atividades.
O condomínio terá um sistema que operará de acordo com a demanda do imóvel. A manutenção preventiva é procedimento importantíssimo na averiguação dos equipamentos e eficiência dos processos, na garantia de que não há vazamentos e nem o contato das águas de reúso com fontes de águas para abastecimento público.
Sibylle destaca ainda que é preciso ficar de olho no desenvolvimento do projeto e nos cuidados na instalação, com especial atenção a ligações cruzadas (água potável x água de reúso). “É importante uma atenção na identificação com pinturas diferenciadas nas tubulações e identificações de todos os pontos de consumo de águas de reúso. Além disso, sempre optar por fornecedores idôneos e experientes que tenham assistência técnica e monitoramento contínuo”, afirma.
O correto cuidado e operação está diretamente relacionado com a performance de tratamento e, consequentemente, com a manutenção da segurança sanitária e ambiental da atividade de reúso. Quando falamos em reaproveitar água residuária é necessário que haja um monitoramento, controle do tratamento e de seu desempenho. Epiphanio ressalta que em muitas ocasiões não é necessário ter um operador dedicado à rotina da estação, entretanto, nas unidades em que há maior complexidade operacional, é recomendável o acompanhamento técnico especializado e a manutenção rigorosa do plano de monitorando ambiental.
Em relação as normas, Souza explica que para tratamento de efluentes, está em vigor a NBR 7229 que aborda condições para projetos, processos e destinação final de efluentes e lodo sedimentado. Especificamente para tratamento da água para reúso a NBR 13969/97 que estabelece alternativas para tratamento complementar e disposição final do residual. Nela, também tem-se a divisão entre as classes (1 a 4), que define a qualidade dessa água de acordo com possíveis finalidades. Quanto ao reaproveitamento de águas de chuvas, a norma NBR 15527 traz as principais diretrizes de dimensionamentos e projetos para esta finalidade.
No caso do tratamento de efluentes, recomenda-se a limpeza anual dos reservatórios, com atenção às caixas de gordura e a retirada do excedente de lodo dos reservatórios. “É importante salientar que os investimentos realizados com tratamento e reúso sempre melhoram a vida dos usuários, trazendo conforto ambiental e economia no consumo de água e que, além disto, carregam benfeitorias aos condomínios que potencializam e agregam valor aos imóveis” – enfatiza Souza. 

Contato das empresas
AcquaBrasilis
: www.acquabrasilis.com.br
ECTAS: www.ectas.com.br
Hydro Z: www.hydroz.com.br
Rotogine: www.rotogine.com.br 

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