Problemas, cuidados e como tratar o Necrochorume
Edição Nº 36 - abril/maio de 2017 - Ano VI
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Problemas, cuidados e como tratar o Necrochorume



por Carla Legner

Os recursos hídricos estão constantemente ameaçados pelo descarte de rejeitos líquidos, sejam de origem doméstica ou industrial. Mesmo protegidas pelas camadas de solo, as águas subterrâneas também não estão livres dessa contaminação. A infiltração de lixiviados de aterro sanitário, excesso de fertilizantes em zonas rurais, despejo de resíduos químicos e o necrochorume são fatores que proporcionam ainda mais essa contaminação.
O necrochorume é a denominação aplicada aos líquidos liberados durante a decomposição dos cadáveres em cemitérios. Trata-se de uma solução aquosa composta por sais minerais e substâncias orgânicas biodegradáveis, de tonalidade castanho-acinzentada, viscosa, de cheiro forte e com grau variado de patogenicidade. É poluente e infiltra-se nos lençóis freáticos quando não há o tratamento adequado.
“O corpo humano depois de morto é decomposto, assim como qualquer outro ser vivo. Passa então a servir de ecossistema para outros organismos como artrópodes, bactérias, microrganismos patogênicos e destruidores de matéria orgânica e outros. A ação desses organismos no cadáver produz a decomposição do mesmo, liberando diversas substâncias que juntas dão origem ao Necrochorume”, completa Ricardo Gonçalves, diretor da Oxi Ambiental.
É gerado a partir do processo de decomposição de um cadáver, e sua composição é bastante complexa e abrange uma série de contaminantes químicos, derivados de substâncias orgânicas e inorgânicas. O tempo estimado para que um corpo tenha as chamadas partes moles apodrecidas é de três anos, restando apenas ossos, dentes, cabelos e unhas. Esse tempo pode ser variado, dependendo da idade do morto, doenças que teve, causa da morte, tipo de remédios que tomou, drogas que ingeriu etc.
De acordo com Fábio Campos, professor de gestão ambiental da USP, os cemitérios são classificados como atividade de risco devido à produção do necrochorume e começou a ser considerado um problema após estudos comprovarem a relação entre a contaminação de águas subterrâneas por esse resíduo cadavérico e pessoas que contraíram doenças como a hepatite, ao ingerirem água de poços contaminados.
A contaminação por necrochorume tem uma carga de microrganismos patogênicos, com bactérias, fungos e vírus, que são potencialmente mais perigosos que a contaminação por chorume, por isso, em função das suas características, o descarte incorreto pode causar danos irreparáveis de saúde pública.

Poluiçã ...


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